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Cândida Teixeira defende melhoria da qualidade do sistema educativo


A ministra do Ensino Superior e da Ciência e Tecnologia, Maria Cândida Teixeira, defendeu esta semana, em Benguela, que a melhoria da qualidade do sistema educativo e de ensino passa necessariamente pela realização de encontros metodológicos, departamentais e inter-institucionais de tecnologia e inovação.

A governante falava no encerramento do primeiro Conselho Consultivo do Ensino Superior e da Ciência e Tecnologia, que abordou, em dois dias, os desafios actuais e futuros do sector, com o objectivo de promover a qualidade dos serviços prestados pelas instituições de ensino superior e de investigação científica.

Apontou a melhoria dos mecanismos de gestão e de liderança, realização de encontros metodológicos de tecnologia e inovação, a implementação da mobilidade docente e discentes com base nos acordos inter-institucionais, a criação de um comité de biotécnica e o incentivo para dinamização e revitalização da carreira docente, por meio do mecanismo de reconhecimento e mérito.

De acordo com a ministra, o estímulo do interesse nos candidatos à universidade nas áreas das ciências básicas (matemática, física, química e biologia) deverão constituir as primeiras acções a realizar no âmbito do conselho consultivo.

Considerou que, para além dos encontros metodológicos, a melhoria da qualidade do sistema de educação e do ensino impõe estreitar cada vez mais a relação com outros níveis de ensino, de modo a contribuir melhor na formação do homem novo.

Segundo Maria Cândida Teixeira, no domínio da investigação científica e pós-graduação, as acções estarão cada vez mais direccionadas para formação de quadros de nível diferenciado, através de cursos de mestrado e de doutoramento nas instituições de ensino superior e centros de investigação. Acentuou que a aposta nos melhores estudantes com a atribuição de bolsas de estudo para formação no ensino superior com referência a nível internacional também deverá estar no centro das atenções, de modo a aumentar cada vez mais o potencial científico e tecnológico do país. Segundo a ministra, no 1º encontro do conselho consultivo foram apresentadas 17 comunicações e abordados temas no âmbito do ensino superior e da investigação, sendo as conclusões uma prova do interesse e da preocupação da comunidade académica e cientifica e dos departamentos ministeriais.

Para a governante, desta forma pode-se concluir que os objectivos preconizados para esta reunião foram alcançados, tendo o seu lema “ Juntos, pela promoção da qualidade dos serviços, da formação superior e de Investigação cientifica” sido acolhido e assumido pelos participantes.

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Fazer um MBA vale a pena?


Há muito que se discute o verdadeiro valor dos programas de MBA (um curso de gestão intensivo, de um a dois anos, dirigido a alunos licenciados). Para os críticos trata-se de um mero negócio muito lucrativo para as universidades, cujas propinas (que muitas vezes são pagas pelas empresas e não pelos alunos) são muito mais elevadas do que as das licenciaturas. Um dos críticos mais ferozes dos MBA é o canadiano Henry Mintzberg, autor do livro Managers not MBAs (curiosamente Mintzberg fez o MBA do MIT, nos Estados Unidos, leccionou no INSEAD, em França e hoje é professor de Gestão da Universidade McGill, no Canadá).

As críticas do canadiano começam logo na admissão. As melhores universidades exigem notas elevadas no Gmat, um teste de escolha múltipla, que avalia, sobretudo, as capacidades analíticas e quantitativas dos candidatos, assim como o domínio da língua inglesa. E a gestão, como argumenta Mintzberg, exige não só habilidades analíticas, mas também as de natureza emocional (associadas à liderança, gestão de pessoas ou sentido ético). A este propósito Daniel Goleman popularizou os testes de QE (quociente emocional) em detrimento do habitual QI (quociente intelectual).

Uma segunda crítica de Mintzberg é o facto de a maioria dos alunos serem jovens que acabaram de concluir a licenciatura. Ora uma das vantagens do MBA é precisamente o foco prático (os cursos de Harvard e da IESE, em Espanha, por exemplo, centram o programa na discussão de casos reais). Mas se a maioria dos alunos apenas possui conhecimentos teóricos dessa discussão, lembra Mintzberg, é pouco estimulante. A prova que a posse de um grau académico não é garantia de aptidão para os negócios é o facto de grande parte dos homens mais ricos do mundo (ver listagem da Forbes na página 82) não ter sequer um curso superior. Bill Gates, Larry Elison, o britânico Richard Branson, o brasileiro Eike Batista ou o jovem Zuckerberg, do Facebook, não terminaram a licenciatura e, não obstante, tiveram um enorme êxito nos negócios.

Apresentadas as críticas há igualmente inúmeros argumentos favoráveis. O MBA, em particular se realizado nas melhores escolas, é de facto um trampolim para o êxito na carreira. A esmagadora maioria dos gestores de topo das maiores empresas mundiais fez um MBA nas escolas de topo, aquelas onde estão os melhores professores. Nalguns sectores, como as consultoras estratégicas, por exemplo, é obrigatório ter um MBA para ser promovido. Não obstante, há algum consenso que o curso é mais útil quando o candidato já tem alguma experiência profissional (a não ser que os alunos tenham concluído licenciaturas noutras disciplinas, como a Engenharia, por exemplo, e necessitem de formação complementar em Gestão).

Uma das grandes mais-valias do curso é a interacção entre os alunos. Quanto maior a experiência profissional mais rica será a partilha de conhecimentos. Outra tendência em alta é fazer um MBA no estrangeiro (ou, pelo menos, com alunos internacionais). A troca de experiências culturais é outra das características mais valorizada nos cursos. Muitas universidades já oferecem a possibilidade de frequentar parte do ano lectivo noutros países através de acções de intercâmbio com escolas estrangeiras.

Mas quem já tem experiência profissional não precisa necessariamente de fazer um MBA tradicional. Hoje, as universidades oferecem vários cursos de pós-graduação assim como os designados Executive MBA. Estes últimos são cursos que permitem ao aluno trabalhar e estudar, em simultâneo, reservando algumas semanas por ano para acções intensivas de formação (teórica e prática), inclusivamente noutros países. Na Exame já referimos a oferta de cursos para executivos da Angola Business School, da Angola School of Business ou da IFEA. São boas oportunidades de progressão na carreira para quem acredita no ditado popular: “Saber é poder.”

Universidades: conflitos e evoluções


Reflectir sobre a flexibilização do sistema de pesquisa da universidade através de uma concepção estrutural, aumento da produtividade e agregação de valor implica demonstrar como ou com que estratégias, a universidade pode tornar-se mais efectiva e empreendedora, quando compreende a verdadeira amplitude de sua missão e assume o desenvolvimento e transferência de tecnologias, como seu quarto elemento funcional e veículo de evolução socio económica.

Se considerarmos que já lá vão cerca de nove séculos de existência das universidades – se considerarmos os tempos das suas raízes, desde as madrazas árabes e os claustros de eruditos católicos, passando pelas universidades de Bolonha, Paris, Oxford e, depois, por outras instituições pioneiras; pelas universidades de Humboldt, Newman, Clark Kerr e outros –, é ponto assente que a universidade não pode constituir-se, como às vezes acontece, num saco roto para os donos ou gestores como fonte de enriquecimento ou viveiro para sustentar outros projectos, que desvirtuem o seu verdadeiro papel, para além da falta de estratégias bem definidas que permitam às universidades gerir o sistema de pesquisa e extensão dos seus produtos básicos. Todavia, a universidade depende da sua efectividade organizacional e da sua capacidade empreendedora, para desempenhar adequadamente estas funções.

O surgimento das instituições de ensino superior, que nos últimos anos teve uma expansão sem precedentes em Angola, tem dado prova de sua importância e viabilidade, embora se reconheça em algumas dessas instituições a falta de qualidade para tornar presente a importância de um sistema de ensino superior bem estruturado e administrado, de modo a atender as necessidades e expectativas da sociedade. Avaliação e qualidade andam juntas e representam, hoje, uma das maiores preocupações da humanidade. A cultura da qualidade é a busca permanente da excelência.

Numa universidade, este conceito aplica-se de uma maneira pouco usual. Por outras palavras, a observação de estratégias, obviamente, obriga a repensar a estrutura da organização permitindo à universidade cumprir metas e missão de forma mais completa.

A nível do universo, as universidades oferecem cursos a distância pela Internet ou via satélite, competindo por alunos nas outras regiões e países longínquas. Além disto, a competição por docentes e pesquisadores qualificados está mais acirrada do que nunca, não respeitando fronteiras de países ou continentes.

Ao abordar o conceito universidade, é preciso recordar que os conflitos internos nas universidades fizeram de sua estrutura um sistema evolutivo. Pressões internas resultantes de dicotomias como as novas versus velhas disciplinas, ciências naturais versus humanas, e educação generalista versus especializada, requerem constante redefinição institucional e uma declaração de princípios filosóficos que estão sempre em conflito. Outras fontes de conflito que impulsionam a evolução da universidade vêm de sua orientação pedagógico-tecnológico, de seu conflito ensino versus pesquisa e, mais recentemente, do conflito entre a licenciatura versus pós-graduação.

Como um sistema evolutivo, a universidade adaptou-se em três correntes principais para evitar sobrecarga funcional. Uma foi a especialização. Outra foi a diversificação interna. Finalmente, na terceira corrente, a universidade combinou as duas primeiras numa hibridação.

Como já ficou evidenciado, a diversificação é mais recente, especialmente após o século XIX, quando a universidade se ampliou pela inclusão da pesquisa como uma de suas funções básicas, isto é, gerar conhecimento.

Dito isto, pode-se concluir que a universidade, por sua natureza, não deixa de ser também ela uma organização globalizada que acompanha as grandes correntes do pensamento.

É um fórum permanente de debate de ideias que procedem de qualquer parte do globo e, por sua vez, também exporta para o mundo as próprias ideias. Dentro da academia os avanços científicos, culturais e pedagógicos são propostos e desenvolvidos pelas diferentes áreas de forma interdisciplinar, para o complemento desses saberes. A Universidade torna-se, então, o locus privilegiado para a pesquisa, para a proposta e para a crítica dirigida à sociedade em busca da melhoria dessa mesma sociedade.